repositório institucional
DOS RIOS AOS RINS: BACTÉRIAS ENCONTRADAS NA ÁGUA DE CONSUMO HUMANO E EM UNIDADES DE HEMODIÁLISE NO BRASIL
A água é um recurso essencial para a sobrevivência e a qualidade de vida humana; contudo, também atua como veículo de transmissão de doenças infecciosas, como gastroenterites, colites e disenteria bacteriana, pois, em muitas regiões brasileiras, encontra-se contaminada por microrganismos patogênicos. Este estudo buscou compilar dados científicos prévios sobre a qualidade hídrica, a fim de avaliar as principais bactérias encontradas em amostras de água consumida pela população no Brasil, evidenciando as fontes de abastecimento e discutindo os riscos ambientais, sociais e sanitários associados. Foi realizada uma revisão bibliográfica em bases de dados científicas, totalizando 53 artigos analisados. Entre os grupos de bactérias mais frequentemente identificados, destacaram-se os coliformes totais (23,6%) e os coliformes fecais (10,5%). Em relação às espécies encontradas, por métodos de cultura ou moleculares, Escherichia coli compôs 16,8% do número de microrganismos patogênicos fora dos padrões de segurança microbiológica, seguida pela espécie Pseudomonas aeruginosa, com incidência de 8,2%. Tais bactérias foram detectadas em 15 diferentes fontes de água para consumo humano, com destaque para cisternas, água mineral, poços, torneiras de residências e até em água destinada à hemodiálise. Neste último, bactérias como Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus e Mycobacterium gordonae foram encontradas tanto nos sistemas de água quanto do sangue dos pacientes, confirmando a correlação entre contaminação e infecções associadas à terapia dialítica. De modo geral, os dados indicaram baixa qualidade microbiológica da água consumida pela população, visto que os índices estão aquém dos padrões de potabilidade recomendados pela Organização Mundial da Saúde. Isso reforça a necessidade de monitoramento contínuo, capacitação técnica dos operadores de sistemas de abastecimento e fiscalização permanente.
TCC -1ª TURMA DE MEDICINA AFYA BRAGANÇA
A persistência de infecções como o Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV), um retrovírus associado à Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto (LLTA) e à Paraparesia Espástica Tropical (PET), destaca a urgência de vigilância e controle da transmissão vertical, principalmente através do aleitamento materno. Este estudo transversal e descritivo avaliou o nível de Conhecimento, Atitudes e Práticas (CAP) de 38 profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de Augusto Corrêa, Pará, sobre o HTLV no contexto do pré-natal. Os achados revelaram lacunas significativas no conhecimento e nas práticas. Embora 68,4% dos participantes reconheçam o aleitamento materno como a principal via de transmissão vertical, uma parte expressiva demonstrou incerteza quanto à ausência de terapia antirretroviral (TARV) validada para prevenção na gestação (28,9% “Não sei”) e sobre o status do rastreamento no SUS (42,1% “Não sei”). Em relação às práticas, 55,3% dos profissionais nunca haviam solicitado o exame de HTLV em gestantes. Além disso, 63,2% relataram nunca ter recebido capacitação sobre o manejo de pacientes com HTLV. A autoavaliação demonstrou forte concordância com a importância do rastreamento (94,7% concordam/concordam totalmente), contrastando com a percepção de preparo insuficiente da equipe e inadequação estrutural da UBS (cerca de 50% expressaram discordância/discordância total nessas categorias).
TCC -1ª TURMA DE MEDICINA AFYA BRAGANÇA
A leishmaniose visceral (LV) é uma doença tropical negligenciada cuja transmissão depende fortemente de fatores ambientais e sociais. Na região amazônica, o avanço do desmatamento tem despertado preocupações quanto ao seu impacto na dinâmica da doença. Este estudo analisou a relação espaço-temporal entre a incidência de LV e o desmatamento entre 2001 e 2023 em todas as regiões de saúde da Amazônia brasileira. Foram utilizados dados anuais de casos confirmados e áreas desmatadas, agregados por região e avaliados por modelos estatísticos temporais e espaciais. Os resultados indicaram uma associação significativa entre desmatamento e aumento da incidência de LV, com elevação dos casos notificados especialmente entre 2001 e 2010 e a partir de 2015. A análise espacial mostrou maior concentração de casos nas áreas mais desmatadas, sobretudo no chamado “arco do desmatamento”. Apesar das limitações de um estudo ecológico, que não permite estabelecer causalidade direta, os achados evidenciam correlações relevantes para compreender os mecanismos ecológicos que relacionam mudanças no uso do solo, vetores e reservatórios da doença. A incorporação de indicadores ambientais aos sistemas de vigilância em saúde pode aprimorar a detecção precoce de surtos e contribuir para estratégias de controle mais efetivas. Além disso, reforça a necessidade de políticas públicas intersetoriais alinhadas ao conceito de Saúde Única da Organização Mundial da Saúde, especialmente importantes para regiões amazônicas socialmente vulneráveis e em acelerado processo de transformação ambiental.
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